Temporada Ásia – Parte II + Normandia

Duas maravilhas do mundo em menos de três meses. Eu sei, não vou fingir normalidade, porque isso é um baita de um privilégio. Mas a verdade é que euzinha tive essa oportunidade incrível, primeiramente caminhando por uma extensão da Muralha da China, e meses depois, de volta à Índia, passear pelo Taj Mahal – lembra dele, que a logística era difícil de encaixar? Pois deu certo!

Muita coisa pra contar, e muita coisa pra assimilar. Meu cérebro virginiano precisa ir por partes, então começamos com Singapura, onde a viagem começou, em mais uma parada de primeira vez.

Singapura

Desapega das horas de voo e do controle da rota do avião e só vai. 02 filmes depois, algumas páginas lidas no Kindle, uma soneca bem mais ou menos, e muita caminhada dentro do avião, chegamos!!!! Eu já sabia que o que mais queria ver em Singapura, era o aeroporto. Porque o aeroporto tem uma fonte gigantelesca bem no meio, que tipo assim, não dá pra explicar muito o porquê, você só sabe que não pode perder.

Oficialmente pronta para explorar, vivi uma semana em Singapura, e que cidade! Ouvi que para os locais algumas regras são bem extremas, mas andar em uma cidade em que você não encontra um papel no chão, uma bituca, um nada, é bem satisfatório. O chiclete é proibido; o vape é proibido. Bendita lei que proíbe o vape e as pessoas sem noção que ficam fumando na sua cara, como se aquele stick de plástico saborizado, não fizesse mal – ou fosse permitido o uso em ambientes fechados. Singapura é linda, organizada, limpa, verde e é uma cidade relativamente fácil de conhecer a pé.

Singapura é uma Ilha, referência global em cidades inteligentes e sustentabilidade urbana. Há projetos para que cada bairro se conecte em 15minutos e que os distritos tecnológicos estejam espalhados pela cidade para diminuir o deslocamento. No quesito ostentação, você vai encontrar barcos passeando dentro do shopping, muitos prédios de vidro iluminados No centro de tudo, existem três torres bem altas, que fazem parte de um hotel. Estas são conectadas por uma piscina no último andar, e alguns rooftop bares. Tive a chance de conhecer a torre por tudo que é ângulo, por dentro, por fora, de cima, só não da piscina, que custa um rim pra visitante. Também fui a um parque que de novo tinham umas torres de mental, em um pique Avatar, muito legais. Mas também não consigo explicar muito o sentido daquilo.

Próxima parada: China

14hrs de voo pra voltar a Inglaterra e dois dias depois voar tudo de novo pra ir a China, não parecia muito saudável ou inteligente. Então a empresa me pediu que eu ficasse o fim de semana entre os dois eventos na região, para evitar tanto deslocamento. Eu aceitei de bom grado e planejei o melhor que podia fazer do meu fim de semana, turistar até cansar.

Estava em Beijing, também conhecida como Pequim. Me joguei no Getyourguide e fui de turista conhecer a Cidade Proibida. Se você tem boa memória, vai lembrar de uma foto famosa de um estudante encarando a pé um tanque de guerra em um protesto? Pois é, foi exatamente lá, mas não se fala sobre isso. Fala-se sobre as dinastias e o poder que foi passando de mão em mão, a inexistência de reconhecimento de qualquer poder às mulheres, até a chegada da Dragon Lady, que articulou um golpe de Estado e mandou e desmandou do jeito que ela queria. A China é uma mistura de muita tecnologia e o tempo passando devagar, de uma população envelhecendo com saúde e uma preocupação pela queda na natalidade.

Você deve saber que no passado as famílias Chinesas eram proibidas de ter mais de um filho. Agora são encorajadas a aumentar a família. O problema é que na cultura deles, uma vez que nasce um homem, os pais têm que garantir uma casa a ele quando se casar. E as famílias morrem de medo de continuar colocando filhos no mundo e de continuar nascendo homens, porque isso quebraria as finanças daquelas famílias. Então na prática, esse número não irá aumentar tão cedo.

O mais incrível dessa viagem foi conhecer a Muralha da China, e eu nem sozinha estava. Meus colegas do Hilton da Turquia me acompanharam nessa aventura e foi épico. Pensar que você está andando em muralhas construídas ao longo de dois mil anos, antes do nascimento de Cristo, no topo de uma montanha. Que tem uma extensão de 21.000km, e não, não pode ser vista da Lua, isso é um mito. Fiz a trilha chamada Mutianyu, que você tem acesso a dois circuitos diferentes. O primeiro você sobe de teleférico, e desce de tobogã, e o segundo você sobe e desce de bondinho.

Depois de muito passear, veio muito trabalho. Uma semana, duas cidades e um cérebro frito. Pense em você passar o dia todo sem entender nada, não consegue ler uma placa, escolher uma comida no restaurante, trocar uma palavra com o motorista do Uber. Aí adiciona muita gente, tudo muito luminoso e colorido, barulho. Dá-lhe estímulo para a cabeça dessa autora.

O bom é que você sempre cruza gente bacana no caminho. Meu cartão de crédito foi bloqueado enquanto viajava (porque, convenhamos, que raios eu estava fazendo na China? Rs) e o recepcionista do hotel pagou meu Uber. Você senta sozinha pra tomar uma cerveja, e conhece um casal viajante que fala Inglês, cheio de história boa pra contar. Sai até pra jantar com uma menina que conheci na excursão. Em Xangai, me joguei em um passeio de barco noturno, e cruzei dois brasileiros na fila. Tem sempre um amigo a um whatsapp ou Instagram de distância pra dividir dicas. Uma das belezas de viajar sozinho, você só precisa estar disposto e disponível, que as coisas se desenrolam.

A China eu voltaria com certeza, fiquei com a sensação de que tem muita coisa a explorar. E se você tem vontade de ir, informe-se sobre todos os aplicativos que precisa ter – e os que não vão funcionar lá – por exemplo, todos do Google, que dá bom.

Como fugir de aeroportos e tirar uns dias de folga

De volta a Inglaterra, Aaron e eu tínhamos uma meta. Curtir um fim de semana prolongado em um lugar diferente e que não envolvesse aeroporto. Assim pegamos o carro, cruzamos a balsa e chegamos à França, mais precisamente na Normandia.

Pode rir, meu conhecimento de criança da Normandia era a rua que tinha neve fake em São Paulo. Graças a minha mãe que maratonava todos os filmes de Segunda Guerra, minha curiosidade pela história e um marido que respira isso todo dia, cheguei na Normandia sabendo que conheceria as praias e alguns dos locais de batalha do Dia D. Eu não me acostumo com uma vida que tenho a possibilidade de ir ver com meus olhos o que lia nos livros na escola.

O dia D, foi na verdade uma operação conjunta das forças aliadas para impedir o avanço dos alemães nazistas pela Europa. Conheci a ponte Pegasus, que foi tomada na calada da noite, para impedir que os alemães batessem em retirada. Vi bunkers no alto da montanha, de onde os nazistas contra-atacavam os soldados que escalaram o paredão. Entendi no museu a construção de uma estrutura flutuante que levava os soldados da praia até o meio do mar com seus tanques, para então embarcarem em navios maiores (e a ruína de algumas dessas peças, continua ali). E o mais impressionante, visitei dois dos cemitérios dos soldados que ali perderam a vida, e você perde de vista a quantidade de vidas que foram tomadas por essa guerra horrorosa.

Não só de história de guerra foram nossos dias. Foi uma viagem offline, de conversas longas no carro e muito descanso. Compramos baguete e carregamos embaixo do braço para o café da manhã, andamos na areia, colocamos o pé na água e recarregamos para tudo mais que ainda estava por vir.

Índia, de novo

Essa viagem não estava programada; quem iria fazer era meu chefe. Mas ele se desligou da empresa e aí fui eu e meu mais novo chefe na missão de proporcionar a melhor experiência possível aos gerentes gerais dos hotéis de Londres, que nunca haviam ido à Índia. No meio disso, muito trabalho, networking, escuta, aprendizado e comida indiana.

Uma semana, entre Delhi e Mumbai. Começando por Delhi, no fim de semana. Um dia de folga, você já deve estar imaginando. Taj Mahal, chegou sua vez. E fui acompanhada de parte do grupo que chegou mais cedo. Eu, três gerentes e um motorista contratado, que esqueceu de dormir na noite anterior e nos deu muito trabalho o caminho todo, pra garantir a segurança da viagem. Uma estrada eterna, cruzamos macacos, pavões, cachorros na pista e sem contar que em cada vilarejo, muitas vacas.

Taj Mahal é um mausoléu fantástico, que foi construído em memória de uma das esposas do Imperador, que faleceu após o parto. A ideia era construir outro todo preto em frente, para quando o próprio Imperador falecesse, mas depois que adoeceu, seus filhos batalharam pelo poder, e o que assumiu o trono, prendeu o pai no Forte de Agra, que fica próximo. A simetria do local é impressionante. Dentro da cúpula, as paredes são forradas de pedras preciosas e você deve respeitar o espaço, entrar sem sapatos, não fotografar e manter o silêncio.

Saímos as 05h, pois a jornada era de 03hrs. Julho não é muito aconselhável ir, pois é época de chuva e faz muito calor. Muito calor pique 40 graus na sombra. Então pensa que da hora que chegamos até terminar o passeio, já estávamos implorando pra voltar. É uma umidade que te derruba, com as costas pingando de suor e não são nem 09h da manhã. Mas ainda assim, fomos persistentes e valeu cada segundo, até porque encontramos o lugar bem vazio. Bônus de ir quando não é recomendado ir rsrs

Ir ao Taj Mahal, na véspera do aniversário do falecimento da minha mãe, foi bem intenso. O transformei em um presente a ela, mais um lugar que não passava nos meus sonhos, sendo conhecido e explorado. E eu sei que ela vibrou à distância. Passar a data trabalhando, e segurando o choro foi uma das coisas mais difíceis que fiz, mas sobrevivi. Fiquei responsável por sair as compras e comprar roupas Indianas para todos, o que foi uma ótima distração, e o resultado final, modéstia a parte, eu arrassei.

Chegando em Mumbai, conheci o hotel Taj, dessa vez por dentro. Anos atrás esse hotel sofreu um atentado e até hoje carrega muita história. Tivemos o privilégio de entrar em suítes que nem no site estão disponíveis para venda, locais onde já passaram chefes de Estado e muita gente importante.

Dessa vez ganhei um saree lindo, que a recepcionista do hotel me ajudou a vestir, e assim que acabou a semana, corri para o aeroporto para voltar a tempo do aniversário de 70 anos do meu sogro!

E é isso, o post acabou, mas a vida louca não. Para o próximo ficam as férias de São Paulo, o casamento do meu irmão, minha ida ao México e depois a Turquia. Sei que os últimos posts viraram Diário da Viajante, mas é a forma como minha vida se apresentou por grande parte do ano. E eu nunca senti tanta falta de casa. O que é bom, que nos divertimos um montão por aqui também. No próximo eu conto mais, e olha, é surpresa que não acaba mais. A vida vai acontecendo.

Amo vocês!

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