Temporada Ásia, na vibe do St Patrick’s e muito desafio pela frente
Toda vez é a mesma coisa, eu prometo aparecer com mais frequência e desapareço. Então eu volto ao último post pra ver onde parei, e começo a sorrir. Fico tão feliz em rever e reviver o que escrevi no último post, e, então, quase ao mesmo tempo, me empolgo para escrever o próximo. Dessa vez sumi por quase 08 meses, mas veja pelo lado bom, tem coisa pra caramba pra contar e te distrair nos próximos 10 minutos. Boa leitura.
É desafio que você quer, então toma.
Parece que eu estava prevendo que meu trabalho novo iria me tirar da zona de conforto em 360 graus. A rotina é quase inexistente; cada dia é uma coisa nova, um cliente pra visitar, um hotel pra acompanhar visita técnica, uma reunião de negociação de tarifa e alinhamento. Tem reunião externa, reunião com colegas do Hilton da Ásia à América do Sul, tem reunião interna e tem reunião da reunião às vezes.


No meio de tudo isso tem muita viagem de negócios. Quem vê de fora diz que encontrei meu trabalho dos sonhos. Quem vê de mais perto, me pergunta sobre a próxima viagem. Só quem tá na rotina comigo vê o laptop sem hora pra fechar, as horas do fim de semana e a sensação de ansiedade de estar sempre pra trás, achando que não ia passar do prazo de experiência – e passei.
Mas no meio de todo esse “caos organizado” que virou minha vida, tem uma hoteleira vibrando! É muito incrível trabalhar pra uma empresa, onde muitos profissionais têm 10-20 anos de carreira. Ver que eles investem para que você cresça e evolua na sua carreira, que o funcionário consegue utilizar os benefícios oferecidos, que o bem-estar em uma viagem longa é levado em consideração e que, principalmente, acredita que você consegue viajar 14 horas de avião e vender hotéis para chineses que mal falam inglês.
Ta, mas e as viagens?
Meu trabalho me deu o privilégio de conhecer uma parte desse mundo que eu nunca imaginei pisar. Em Fevereiro fui pra Índia, por uma semana. Em Abril fui pra Singapura, por outra semana e segui para a China. No segundo semestre repetimos destinos e o foco também é América do Sul. Quero e vou contar todas elas pra vocês, talvez não tudo em um post. Inclusive minha mini férias em Dublin, na véspera do St Patricks, dentro da minha nova especialidade, misturar dias de trabalho com lazer. Vem comigo!
Uma semana na Índia
Foram três cidades – Mumbai, Nova Delhi e Bangalore. Fiquei hospedada nos hotéis da rede, cada lugar era incrível. O meu favorito foi o Conrad Bangalore. Sabia de alguns colegas de trabalho que iriam nesta viagem, e muito antes de viajar, estava com minhas vestimentas indianas definidas, malinha de remédio pra todo tipo de piriri, e zero planejamento do que fazer nas horas livres como turista. Cheguei uns dias antes para me situar, no fuso, no clima, e também com a cultura.
A única coisa que eu conhecia da Índia de nome, era o Taj Mahal e descobri que não ia rolar ir até lá, que tem muita logística envolvida pra isso. A segunda coisa que eu queria ver eram aquelas lavanderias a céu aberto.
Começamos em Mumbai. Descolei um motorista pra me levar pra todo canto, no meu único dia de folga, pra otimizar tempo. Acho que foi a melhor escolha, pensando hoje; Mumbai oferece tantos estímulos que no fim do dia seu cérebro tá um tanto fora de órbita.








É tudo muito intenso, colorido, vibrante e ruidoso.
– Um local que nunca dorme e qualquer hora do dia tem gente na rua / trânsito / opção de coisa pra fazer? Desculpa, amigos paulistas, a Índia coloca a gente no chinelo.
Caravana Hilton a caminho de Delhi
Só de gente vendendo Hilton ao redor do mundo eram umas 50 pessoas, mais o time da Índia, pensa a animação. Chegamos em Delhi sem tempo de turistar, então pegamos um tuk-tuk às 9pm só pra ver o arco famoso. Conhecer Delhi com calma vai ficar pra próxima.
Achei a cidade mais parecida com São Paulo, com avenidas largas, iluminadas. Muitos prédios do governo, embaixadas, tudo o que se espera da capital de um país.





Última parada, Bangalore, no sul do país
Me surpreendeu como cada cidade é completamente diferente das outras. Bangalore é considerada o Vale do Silício da Índia. É o polo de tecnologia com empresas de TI, mais estruturada, com influência Inglesa. Eu fiquei de queixo caído com o aeroporto deles, que lindo. Também me contaram que a comida difere bastante em cada região, mas isso a gente entende, né. No Brasil, a mesma comida tem 10 nomes diferentes e cada um cozinha e chama de um jeito.
Falando nela, comida indiana é a mais pedida no delivery da Inglaterra. Os ingleses são malucos por curry, inclusive meu marido. Então eu tinha uma leve noção de como seria a comida, mas tinha cada coisa diferente. As refeições normalmente têm pão, arroz, e um frango em um molho cremoso, que pode lembrar um strogonoff. O que muda são os temperos do molho e o quão picante ele pode ser. Lembrando que na India ninguém come carne, pois a vaca é um animal sagrado. Tão sagrado que eu vi gente na rua, com uma vaca do lado, sentada na calçada, de boa. Se você for no McDonald’s, só vai encontrar McChicken e, se pedir um hambúrguer, a chance é de vir um pedaço de queijo empanado com salada.
Acho que deu pra passar uma boa ideia, ne? Fechando o capítulo Índia, vamos a algumas curiosidades:
Curiosidades da Índia
Você sabia que a Índia está entre os 10 países mais poluídos do mundo? Consegui ver a densidade da poeira, quando estávamos pousando. Tem muito pó, e a qualidade do ar é comprometida.
Eles usam a buzina do seu veículo (carro, ônibus, tuk-tuk, moto, o que for) como sinal de alerta para que o motorista da frente saiba que estão passando. Diferente da gente que usa quando tá pistola com a barbeiragem do amiguinho rsrs. Tem faixa de trânsito, mas é mera ilustração. Na Índia todo mundo buzina – o tempo todo – circula ziguezagueando pelas faixas e com um sorriso no rosto. Zero stress, zero treta, só muito barulho.
Você se vestir como eles é celebrado e valorizado na cultura Indiana. Eu fiquei sabendo disso antes de ir e AMEI vestir os looks. Saree é o nome do tecido que as mulheres enrolam no corpo como um vestido, e o que usei tinha 10 metros. Minha colega indiana me vestiu e ele está preso com alfinetes pelo corpo todo. Fiquei deslumbrante, mas não conseguia fazer xixi no coquetel hahaha. Valeu a experiência.
Os indianos são calorosos, alegres, receptivos e amam negociar. Eles curtem a barganha, o tempo despendido até bater o martelo no melhor preço. Facilmente você consegue sair de uma loja pagando metade do preço original, mas precisa ter paciência. Depois de uma semana eu já só queria levar minha pulseira pra casa no preço justo.



Quando eu também achei que tinha acabado, uma última surpresa
Tirei o último dia de viagem pra descansar e aproveitar o hotel maravilhoso em que estava hospedada. E depois da semana super intensa, me pareceu a melhor ideia. Eis que, no meio da tarde, descubro o início de uma guerra, em que os países que estavam sendo atingidos eram, em parte, os países por onde meu voo havia passado para eu chegar à Índia.
Vocês já sabem do meu receio de voar, né. Pensa então nessa circunstância. Mas eu fiz um acordo comigo mesma e este ano, como tem muita viagem, eu não vou sofrer de véspera ou me preocupar com o que não posso controlar (palmas).
Tinha uma aeromoça na piscina. Perguntei pra ela se precisava me preocupar, já que meu voo era na manhã seguinte, e ela disse que não. Então não me preocupei. Corta até o momento em que eu vi um hotel de luxo em Dubai pegando fogo. Chorei, liguei para o meu marido e ele disse que estava tudo bem, que não tinha motivo pra me preocupar. Então fui dormir.
Meu voo saiu no horário e fez uma rota muito louca, por lugares tão inóspitos que eu só pensava – se sumir aqui, ninguém acha. Mas Deus é muito bom, nos protegeu no caminho de volta e cheguei em segurança na minha casa.
Mal deu tempo de ficar entediada, já estava fazendo mala de novo.
Uma brecha na agenda e St Patricks
Eu teria que ir pra Dublin conhecer os hotéis que temos lá de qualquer jeito. E por que não, ir na véspera do St Patrick’s e fazer uma imersão na euforia que é este festival. Comecei de leve, com uma pulseirinha, e terminei com blusa, pintura no rosto, e tudo o que remetesse ao santo irlandês que arrasta multidão pra rua, no dia do desfile. Eu fui embora uns dias antes, mas deu pra curtir muito o fim de semana.
Ir pra Dublin é sempre uma nostalgia, dos anos em que morei lá. Muita coisa mudou, tem restaurante brasileiro em toda esquina e muuuito jovem bêbado na área do Temple bar. Galera bebendo sempre teve, mas achei os estudantes muito novinhos. Será que é a idade pegando?
Falando em idade, Dublin também é onde me conecto com minhas amizades antigas, que me conhecem da época em que tudo era mato e viajar para a Europa era impensável.






Fiquei hospedada em um hotel lindíssimo no centro, que nunca imaginei sequer entrar. Tive a oportunidade de encontrar minha cunhada na noite que cheguei, que também estava lá a trabalho.
O plot twist da viagem me emocionou. Fui conhecer o segundo hotel da Hilton que fica entre Dublin e Malahide. Eu, estudante, lá em 2011, morava em Malahide. Como não falava uma palavra de inglês, meu primeiro trabalho, foi vender jornal na rua, no cruzamento em frente ao hotel. Fiquei emocionada em ver que a Natália de 2011 não tinha ideia de onde a vida dela ia parar, e que acreditar no processo, persistir nas dificuldades, e sonhar grande é muito mágico. A recompensa chega e eu só tenho a agradecer.

Sempre um prazer esticar uns dias na Ilha Esmeralda.
Por ora acabou, mas volto aqui em breve pra contar sobre Singapura e a China, visitando uma das 07 Maravilhas do Mundo moderno, uma viagem incrível que abriu meu horizonte ainda mais.
Se cuidem e Vai Brasil!
Beijooos
Muito bom Naty
Adoro ver e saber das suas histórias, do seu crescimento. Vc merece viver isso tudo. Bjs querida
Muito bom Naty
Adoro ver e saber das suas histórias, do seu crescimento. Vc merece viver isso tudo. Bjs querida
Naty, amo suas histórias com relatos tão interessantes! Parece que estamos conversando pessoalmente. E eu acabo conhecendo cada lugar pelo seu olhar e percepção.
Obrigada por partilhar! 💖